Segundo radioamadores americanos, após alguns dias operarando o sistema D-Star, achará inaceitável estações ruidosas do modo FM. A propósito, o modo DV não tem ruído de squelch fechando.
Área de cobertura do modo FM comparado ao modo DV
Há controvérsias sobre esse assunto ainda. Segundo respostas que obtive de dois grupos de radioamadores americanos que utilizam o sistema, a cobertura fica assim:
Grupo 1 ) A cobertura é por volta de 25% maior que a do modo analógico porque o digital, quando o analógico já está no meio do ruído, ainda consegue passar com áudio perfeito por causa da correção de erros do protocolo. O digital é sempre com áudio limpo e sem ruídos, e quando não está mais na área de cobertura desaparece de uma vez.
Grupo 2) O digital oferece uma cobertura próxima de 95% do analógico. Tomemos como exemplo um repetidor que cubra uma área de 100 km. No digital vai perder o contacto a 95 km dele, já no analógico terá um áudio bem ruidoso por mais uns 5 a 9 km. Ainda consegue operar em D-Star com o S - meter em modo analógico marcando entre S1 e apenas a luz do busy acesa, enquanto no modo analógico vai ter luz de busy devido ao ruído. Resumindo: A cobertura do D-Star é um pouco menor, mas o áudio é 100% até o último km.
Acesso ao repetidor
Um repetidor D-Star só retransmite um sinal que tenha um endereço de origem e destino. Neste caso o endereço seria o indicativo do radioamador. Portanto antes de acionar um repetidor, é preciso configurar algumas informações na memória do rádio para poder transmitir. Nos repetidores atuais, é só preciso saber a frequência, o offset e eventualmente o tone. Já num D-Star, além da frequência e offset, é preciso saber algumas configurações a mais como o indicativo e portas. Normalmente essas configurações serão divulgadas por quem mantêm o repetidor para que consiga operá-lo.
Veja que interessante. Imagine que eu, PY1EU, queria chamar um colega pelo repetidor. Escolhendo numa lista de indicativos que eu tenha antecipadamente memorizado no meu rádio, escolho o PT2AST. Apenas aperto o PTT e um pacote de dados contendo como destinatário o PT2AST é enviado para o repetidor. Ele, por sua vez, retransmite esse pacote até ao rádio do destinatário. Se o rádio estiver ligado, ele dará um alerta e o PT2AST verá no display do rádio que sou eu quem está chamando. Daí ele simplesmente aperta o PTT e começamos o contato através do repetidor.
Claro que eu poderia simplesmente selecionar o prefixo dele e chamar como costumamos fazer nos repetidores de hoje, mas para quê ficar chamando e incomodando quem está na escuta com repetidas chamadas, e às vezes em vão.
Se eu preciso de colocar o indicativo de destino, quer dizer que não poderei mais chamar qualquer um que esteja na escuta para uma conversa? Claro que posso! Basta seleccionar o indicativo CQCQCQ, vai aparecer no rádio de todos os que estiverem na escuta, e poderei falar com quem responder. E também se fizer a chamada por voz no repetidor, todos ouvirão. Inclusive, qualquer comunicado que houver no repetidor será ouvido por todos que estiverem sintonizados nele. O indicativo só é necessário se quiser utilizá-lo. A monitorização dos comunicados no repetidor é livre, como nas atuais.
Veja outra coisa interessante. Imagine que eu, PY1EU, estou conversando com o PT2AST e com o PY2EQJ. Este último me pede o número do meu telefone. Eu, por razões próprias, não gostaria de divulgá-lo na frequência. Simplesmente escrevo uma mensagem de texto, como se fosse um SMS no telefone celular, pelo teclado do meu rádio, e envio com destino ao PY2EQJ. Pronto! Ele recebe no seu display o número diretamente e os outros que por ventura estejam ouvindo nem saberão que isso ocorreu. O modo DV permite voz e dados simultaneamente. Não importa se alguém está falando na altura, é possível trocar mensagens simultaneamente com a voz.
Outra coisa interessante é que através destas mensagens podemos controlar equipamentos em casa através do repetidor apenas tendo o rádio ligado a um interface para esse fim. Todo o rádio D-Star tem uma saída de dados que pode ser ligada a um PC ou qualquer outro dispositivo. Já criaram um interface que pode ser ligado a um teclado de PC para poder trocar mensagem no modo DV.
Gateway do D-Star
Um repetidor D-Star pode funcionar como um repetidor normal ou como um repetidor Gateway (portal). A controladora do repetidor D-Star tem uma entrada ethernet que pode ser ligada à internet (exige IP fixo). Uma vez ligada a internet, ele fará parte da rede mundial D-Star.
Imagine a seguinte situação: O PT2AST quer falar com o PY2EQJ. Ele seleciona o indicativo dele e aperta o PTT para enviar a chamada. Ocorre que o PY2EQJ não está na cidade. Por acaso ele está em outra cidade, mas dentro da área de cobertura de outro repetidor D-Star que também é Gateway. Vai aparecer no display do PY2EQJ que o PT2AST está chamando. Ele responde e pronto! Estarão se comunicandoe como se estivessem no mesmo repetidor e com a mesma qualidade de áudio! O repetidor D-Star faz uma busca na rede D-Star e pergunta se aquele indicativo está disponível em alguma delas. Ou seja, o repetidor D-Star faz um tipo de roaming , como faz a telefonia móvel celular para encontrar um usuário fora da sua área. Não importa onde o PY2EQJ estivesse, poderia ser em Las Vegas nos EUA ou em Londres na Inglaterra.
Trocar mensagens também funciona entre repetidores.
Vale lembrar que os repetidores D-Star também podem ser ligados ao Echolink e IRLP.
Se o repetidor D-Star está ligado à internet, e os rádios D-Star podem transmitir dados, será que eu poderia usar um notebook ligado na saída de dados do rádio e num local remoto acessar à internet? Claro! Se os responsáveis do repetidor permitirem o uso, é possível ler e-mails e muito mais utilizando o rádio. O único inconveniente é que para VHF e UHF, a velocidade de transferência é de apenas 1200 bps. Embora suficiente para e-mails de textos e troca de mensagens, não será eficiente para navegação na web. Já o repetidor de 1.2GHz, tem capacidade para transmissão de banda larga a 128kbs. Nada mal para navegar do carro!
Monitoramento (Log)
O sistema D-Star, através da controladora do repetidor, permite que um PC rodando Linux seja ligado a ela para rodar aplicativos variados. Um deles, é o programa do log de utilização do repetidor. O responsável pode disponibilizar na web um endereço onde qualquer um poderá ver quem, quando e de onde, está utilizando o repetidor. Com esse aplicativo e mais alguns, é possível garantir um ambiente cordial e respeitoso, que um dia já foi marca registrada do radioamador.
3 - Rádios Compatíveis D-Star
No momento o único fabricante que comercializa rádios com o sistema D-Star é a Icom. A Kenwood já apresentou na feira no Japão um modelo idêntico ao ID-800 da Icom. Segundo informações, a Kenwood fez parceria com a Icom para lançar a sua linha D-Star. Também existem informações não confirmadas que a Yaesu já trabalha para lançar os seus modelos.
Rádios D-Star Icom
A Icom já possui uma linha com sete rádios compatíveis com D-Star. São quatro portáteis (HTs) e três rádios móveis. Veja a seguir uma breve descrição de cada um deles:
IC-V82 HT de VHF (necessita da unidade opcional UT-118)
IC-U82 HT de UHF (necessita da unidade opcional UT-118)
IC-91AD HT Dual Band
IC-91A HT Dual Band (necessita da unidade opcional UT-121)
IC-92AD HT Dual Band
IC-2200H Mono Band de VHF (necessita da unidade opcional UT-118)
IC-2820H Dual Band móvel (necessita da unidade opcional UT-123)
ID-1Mono Band móvel de 1GHz
ID-800H Dual Band móvel
ID-880H Dual Band